O tiro que saiu pela culatra
Este episódio que vou mostrar agora é um dos maiores vexames vividos pelo time do presídio em toda a sua lamentável história. No intervalo do jogo Grêmio x urubulândia, dia 29 de agosto de 1999, em pleno estádio do Maracanã, com transmissão direta pelo canal SPORTV para todo o Brasil, estes elementos tentaram menosprezar o CLUB DE REGATAS VASCO DA GAMA, que nada tinha a ver com o tal jogo. Mas o resultado final de tal ato insano foi inteiramente oposto ao desejado pelo "urubulândia team". Vejam o que publicaram o JORNAL DO BRASIL e O GLOBO no dia seguinte ao jogo, sobre as cenas lamentáveis presenciadas por aqueles poucos que estavam no estádio e por milhares de pessoas que assistiam pela televisão:
Jornal do Brasil - 30/08/1999
Apresentação do lutador Vítor Belfort à torcida provoca violência
O flamengo perdeu ontem dentro e fora de campo. Pior do que a derrota de 4 a 3 para o Grêmio foi a estratégia montada pelo departamento de marketing do clube na apresentação do recém-contratado lutador de vale tudo, Vítor Belfort. Vestido com uma camisa do Vasco, o também lutador Leandro Furtado invadiu o gramado no intervalo e correu em direção à torcida rubro-negra. No script estava previsto que Vítor Belfort expulsaria à força o invasor - mas nada disso foi comunicado à Polícia Militar.
Na geral, os torcedores começaram a arremessar pedras em direção ao gramado, tendo como alvo o "vascaíno" Leandro, que rapidamente trocou a camisa do Vasco por uma camiseta da força jovem do flamengo. Um pedaço de concreto atingiu o operador da Sportv, Amadeu Dionísio do Nascimento, que acabou levando seis pontos na cabeça. "Num momento em que tanto se pede paz nos estádios é lamentável essa iniciativa de incitamento à violência", disse o sargento Medeiros, enquanto um funcionário do marketing do flamengo protagonizava uma cena lamentável, pisando numa camisa vascaína.
Jornal O Globo - 30/08/1999
Uma promoção às avessas no intervalo. Plano rubro-negro de divulgar a contratação do lutador Victor Belford acaba em confusão
Uma promoção para divulgar a contratação do lutador Victor Belfort provocou uma enorme confusão à beira do campo, no intervalo do jogo. Cumprindo o que fora combinado, Leandro, lutador e parceiro de Belfort, entrou em campo vestindo a camisa do Vasco. O plano era provocar a torcida do flamengo assim que o placar eletrônico do Maracanã anunciasse a exótica contratação de Belfort, que entraria no gramado para vingar a nação rubro-negra, aplicando uma surra exemplar no ousado rival provocador.
Só que, quando esse torcedor passou a provocar os rubro-negros, logo os policiais avançaram sobre ele, agarrando-o, enquanto os rubro-negros da geral atiravam pedras e outros objetos no invasor.
Ele foi salvo da ira pelo diretor Eugênio Onça, que a muito custo conseguiu explicar o mal-entendido: segundo Onça, Leandro estava credenciado pela Suderj para entrar no gramado e o chefe do policiamento sabia da promoção. Só não houve tempo para avisar o restante do policiamento. Quem se deu mal foi um operador de áudio do canal Sportv, que levou uma pedrada na cabeça e sofreu um corte no couro cabeludo.

O demente é seguro pelos policiais e é levado preso. Observem a cara do sujeito!


Depois do espetáculo circense promovido pelos insanos veio então o pior, a hora das explicações e das desculpas. Ao CLUB DE REGATAS VASCO DA GAMA, tiveram que pedir perdão publicamente (imaginem o quanto foi difícil para aquela corja fazer isso). Depois tiveram que responder a seguinte pergunta: quem foi o responsável pela bandalha? Aí a coisa ficou preta, ou melhor, mais preta. Era um tal de um culpar o outro e o outro culpar o um. Uma vergonha! O JORNAL DO BRASIL e O GLOBO descreveram assim este episódio tragicômico:
Jornal do Brasil  -  31/08/1999
Mil desculpas. Edmundo pede perdão por "teatro" de Vítor Belfort
O Presidente do flamengo, Edmundo Silva, enviou ontem pedidos de desculpas formais ao Vasco e a Secretaria Estadual de Esporte e Lazer pelo incidente causado no intervalo do jogo de domingo na apresentação do lutador Vítor Belfort. Vestido com a camisa do Vasco, o lutador Leonardo Furtado iria participar de uma luta simulada contra Belfort, mas o que seria uma encenação, idealizada pelo gerente de marketing rubro-negro Tomaz Naves, se transformou em tumulto.
"Não acredito que o presidente do flamengo tenha concordado com aquilo. Não podemos estimular a violência", disse o vice do Vasco, Eurico Miranda. "O Edmundo sabia da idéia", disse Tomaz. "Foi uma mensagem infeliz", reconheceu Edmundo.
Jornal O Globo - 31/08/1999
Gol contra do marketing cria mal-estar no clube
A idéia de forjar a invasão de campo de um torcedor com a camisa do Vasco na apresentação do lutador Vítor Belfort como contratado do flamengo no intervalo do jogo contra o Grêmio, domingo, no Maracanã, criou problemas externos, porque a provocação causou desconforto com o rival de São Januário; e internos, porque os departamentos de marketing e de esporte amador não têm o mesmo discurso.
- Vítor Belfort sequer é lutador do flamengo. Se negociou algo com o marketing foi, talvez, para lançar um produto do clube, não para ser atleta - disse o vice de esportes amadores, Fernando Sihman.
Thomaz Naves, diretor de marketing, rebateu:
- A contratação foi feita num almoço sexta-feira passada, do qual participou o Miguel Ângelo da Luz, superintendente de esporte amador.
O presidente Edmundo Santos Silva reconheceu o erro e confirmou que estava ciente de tudo. Arrependido, mandou cartas para o Vasco e para a Suderj pedindo desculpas.
- Tudo foi preparado de uma maneira e aconteceu de outra. Quero pedir desculpas a todos - disse, constrangido.
Onça isentou-se de culpa no caso, embora fosse a autoridade do clube no vestiário:
- Só na hora é que percebi que se tratava de uma brincadeira de péssimo gosto.
A idéia de levar torcedor com a camisa do Vasco foi do marketing.
- Estávamos levando três torcedores (vestidos de Vasco, Fluminense e Botafogo) e simularíamos o Vítor nocauteando os três. Depois, exibiríamos uma mensagem, por baixo da camisa de cada um, com a frase "Lute pela paz" - disse Thomaz.

Amigos vascaínos, vocês acreditam na parte final da reportagem, onde o tal Thomaz  fala sobre a frase Lute pela paz? Vocês acreditam? A verdade é a seguinte: foi um tiro que saiu pela culatra. E vejam só como a vida conspira a favor dos trabalhadores e honestos, e contra os falsos e desonestos: antes da palhaçada a urubulândia vencia por 2 a 1. Depois de tudo que aconteceu, o Grêmio "virou o jogo" e acabou vencendo a partida por 4 a 3. O castigo veio a cavalo. De bombachas e chimarrão.

Jogadores do Grêmio comemoram. Foi o tiro que saiu pela culatra. Ao fundo o jogador Romário, provavelmente pensando: "Eu não devia ter saído de São Januário..."